Boi Garantido vai em busca de patrocínio

Por Caroline Moraes
A importância do Festival Folclórico de Parintins para a economia do município tem levado os bumbas a irem atrás de investimentos que garantam uma festa digna de ser chamada de um dos maiores espetáculos da terra. Mas essa tarefa árdua torna-se um dos principais desafios de quem está a frente das associações folclóricas.
O presidente da Associação Folclórica Boi Bumba Garantido, Vicente Matos, em entrevista concedida aos alunos de jornalismo da Nilton Lins, na sede do Movimento Amigos do Garantido (MAG) comentou sobre os investimentos e o seu compromisso com a comunidade do boi.
Vicente Matos, chegado recentemente de São Paulo onde foi em busca de recursos e acertar detalhes para a compra de materiais que serão usados na confecção das alegorias de 2006.
Segundo ele, como acontece todos os anos, parte da matéria prima, principalmente as penas serão comprada em São Paulo, devido ao grande número de opções de importadoras, principalmente da Ásia que é forte na produção de animais com essa finalidade.
Vicente que já foi diretor financeiro do boi na gestão anterior explica que se mantiver o empreendendorismo de uma boa administração na questão financeira do boi, como foi realizado na gestão passada, daqui há a três anos o Garantido estará com as contas em dia.
NL - O Boi Garantido recebeu recursos para este ano, de quais patrocinadores?
VM – Até o momento, somente a Coca Cola fez o repasse de 90% do contrato firmado com o boi esse ano. Outros parceiros estão sendo esperados por nós, para que efetivem o repasse até porque nos já estamos na contagem regressiva para o festival, e os recursos são necessários para que façamos o boi com antecedência e fazendo o boi com antecedência demanda recursos, até porque nós só temos uma despesa fixada que é para cobertura da expectativa e que até agora não foi confirmada no repasse dos parceiros, então nós estamos nesta expectativa.
NL - Como está à questão das dividas do Garantido?
VM - Nos últimos três anos da gestão passada o boi não ficou devendo nada a ninguém, mas ainda temos débitos a partir de 2002 e que continuam sendo negociados, de pessoas que estão recorrendo ao poder judicial para reaver os créditos concedidos ao boi em anos anteriores, e isso tem nos preocupado bastante, porque a qualquer momento somos tomados de surpresa por liminares que impedem de entrar novos recursos para o boi e, o mais interessante é que isso vem ocorrendo na fonte do patrocínio. Eles se constrangem com a liminar e, com isso, não há como repassar os recursos. Isso é constrangedor tanto para o parceiro quanto para nós que ficamos “na mão” com valores que poderíamos contar. Esses são problemas que o boi continua a enfrentar.
NL - Em oito meses na administração do Garantido, o que houve de reforma na estrutura física e social?
VM - Começamos a obter frutos dos esforços através da recuperação de parte do patrimônio físico do boi da Cidade Garantido, o qual fizemos a reforma do trapiche (porto) que era um pleito dos associados. A recuperação de um galpão que estava com o teto no chão há seis anos e atualmente estamos trabalhando a parte social do boi. Temos definido pelo Governo assegurado o financiamento do patrocínio da escola de arte denominada “Aldeia da Arte” direcionada prioritariamente aos filhos dos sócios na faixa etária de 8 a 18 anos incompletos. Inicialmente contemplamos cerca de 250 crianças com esse projeto que iniciamos em maio.
NL - Como é trabalhar com uma organização que não tem uma receita fixa?
VM - Temos tentado valorizar primeiramente o sócio dentro das nossas possibilidades, sabemos que a associação tem gastos, chamamos de custo fixo as despesas do ano todo e que não tem uma receita. O sócio do Garantido não contribui mensalmente com a associação, então qualquer organização que tenha despesa e não tenha receita, vive momentos complicados e a gente tem tentado não deixar, por exemplo, que a água seja cortada ou que a Cidade Garantido (Curral) não fique sem o fornecimento de energia.
O senhor tem uma visão ampla sobre a parte financeira e econômica do boi. O destaque e o crescimento do município se deve ao Festival?
VM - Sabemos da importância do Garantido assim como a do Caprichoso para a economia de Parintins. Na minha opinião, o sustentáculo econômico é realmente o Festival Folclórico realizada pelas duas associações folclóricas, porque o festival não se resume apenas em Garantido e Caprichoso, ele
tem ainda as quadrilhas de São João e as danças regionais.
NL - Como é administrar uma associação cultural?
Tudo que vai para Parintins, principalmente na área de estrutura ocorre em razão da festa, temos essa compreensão e o compromisso de fazer o melhor. Embora não seja fácil, enfrentamos várias barreiras, é difícil manter uma boa gestão à frente de uma associação folclórica. Agora, quando há o comprometimento com a terra, cultura e o povo, você consegue fazer um bom trabalho.


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